RUANDA CELEBRA O KWIBOHORA32 EM BRASÍLIA COM CULTURA, DIPLOMACIA E A HISTÓRIA DE UMA TRANSFORMAÇÃO NACIONAL

Em sua terceira celebração oficial da data nacional no Brasil, a Embaixada da República de Ruanda reúne autoridades, corpo diplomático e convidados para celebrar os 32 anos da Libertação do país, destacando sua trajetória de reconstrução, unidade e desenvolvimento.

Por: Redação
Imagens DB

A Embaixada da República de Ruanda no Brasil celebrou, nesta terça-feira (7), o Kwibohora32, Dia da Libertação de Ruanda, reunindo autoridades brasileiras, membros do corpo diplomático, representantes de organismos internacionais, parlamentares, acadêmicos, empresários e parceiros institucionais em Brasília. A cerimônia marca os 32 anos da Libertação de Ruanda, celebrada em 4 de julho, data que simboliza o fim do Genocídio de 1994 contra os Tutsi em Ruanda e o início de m amplo processo de reconstrução nacional, fundamentado na unidade nacional, na reconciliação e no desenvolvimento.

Realizada pelo terceiro ano consecutivo, a celebração reafirmou o fortalecimento da presença diplomática ruandesa no país e o aprofundamento das relações entre nações. Mais do que uma celebração nacional, o evento apresentou ao público brasileiro aspectos da história recente de Ruanda e da jornada de transformação que fez do país uma referência internacional em governança, inovação, sustentabilidade e segurança.

O Kwibohora, que em kinyarwanda significa “Libertação”, representa um dos momentos mais importantes da história contemporânea de Ruanda. A data marca o início de um novo projeto nacional voltado à reconstrução das instituições, à promoção da unidade entre os ruandeses e à construção de um país orientado pelo desenvolvimento sustentável, pela inovação e pela boa governança. Ao longo dos últimos 32 anos, Ruanda consolidou avanços reconhecidos internacionalmente em áreas como igualdade de gênero, segurança pública, saúde, educação, transformação digital e crescimento econômico, tornando-se uma referência no continente africano.

Durante a cerimônia, o Embaixador da República de Ruanda no Brasil, Lawrence Manzi, ressaltou que a Libertação permanece como um compromisso permanente com a construção de um futuro baseado na responsabilidade coletiva, na confiança entre os cidadãos, e uma visão compartilhada de futuro, construída a partir da dignidade e prosperidade.

Embaixador Lawrence Manzi

É uma honra recebê-los esta noite, enquanto nos reunimos para celebrar dois momentos decisivos na história de Ruanda: o 64º aniversário da nossa Independência, comemorado em 1º de julho, e Kwibohora, nosso Dia da Libertação, celebrado em 4 de julho. Este ano, também se comemoram os 32 anos desde que a Frente Patriótica Ruandesa pôs fim ao genocídio.

Kwibohora marca o início da jornada de renascimento de Ruanda após o Genocídio de 1994 contra os Tutsi. Foi com esse início sombrio que os ruandeses embarcaram em um caminho de cura, reconstrução, unidade e reconciliação.

Ao longo dessa jornada, nossa nação recuperou sua dignidade, restaurou a esperança em seu povo e reconquistou a capacidade de determinar seu próprio destino.

Este novo capítulo foi definido pela responsabilidade compartilhada de reconstruir uma nação unida, resiliente e voltada para o futuro, após décadas de apatridia, divisionismo e má governança. Honramos os jovens e corajosos homens e mulheres do Exército Patriótico Ruandês, que fizeram o sacrifício supremo ao darem suas vidas para libertar Ruanda e nos dar a chance de um novo começo. Ao honrá-los, reconhecemos também a responsabilidade confiada a cada ruandês de construir e proteger a nação que libertaram.

Essa responsabilidade se refletiu em três escolhas fundamentais feitas ao longo dos últimos 32 anos. Primeiro, escolhemos permanecer unidos como um só povo. Segundo, escolhemos ser responsáveis ​​perante nós mesmos e construir instituições fortes que sirvam aos nossos cidadãos. Terceiro, escolhemos pensar grande e perseguir metas ambiciosas com confiança em nosso próprio potencial.

Essas escolhas transformaram Ruanda em um país reconhecido por sua estabilidade, instituições eficazes, economia de crescimento mais rápido e compromisso em gerar resultados para seu povo.

Contudo, mesmo enquanto celebramos nossas conquistas, permanecemos conscientes dos desafios de segurança que persistem em nossa região. Como o Presidente Kagame nos lembrou há alguns dias, embora Ruanda tenha mudado profundamente, as ideias que alimentaram o genocídio não desapareceram completamente. Elas continuam a existir em diferentes formas e permanecem presentes em toda a nossa região, lembrando-nos de que a segurança e a boa governança nunca podem ser dadas como certas.

E, de fato, para Ruanda, a segurança e a boa governança não são apenas uma prioridade entre muitas. São o alicerce sobre o qual tudo o mais se constrói. Sem paz e segurança, não pode haver desenvolvimento, prosperidade ou oportunidades.”

Representando o Governo brasileiro, o Embaixador Antonio Augusto Cesar, Diretor do Departamento de África do Ministério das Relações Exteriores, ressaltou a importância do fortalecimento das relações entre Brasil e Ruanda e da ampliação da cooperação entre os dois países em áreas estratégicas.

Diretor do Departamento de África, embaixador Antônio César Martins,

Senhoras e senhores,
Nossa experiência não oferece um modelo universal, mas demonstra o que é possível quando a liderança, o protagonismo nacional e uma visão de longo prazo se unem. É também por isso que Ruanda se tornou um dos maiores contribuintes para as operações de manutenção da paz das Nações Unidas, apoiando comunidades nessas regiões que necessitam de paz e segurança.

Acreditamos também que o desenvolvimento se fortalece quando os países compartilham suas experiências e aprendem uns com os outros. Para Ruanda, essa é a essência da cooperação Sul-Sul: parcerias construídas com base no respeito mútuo, em soluções práticas e no compromisso com o progresso compartilhado.
É essa visão compartilhada que continua a aprofundar a amizade entre Ruanda e o Brasil. Valorizamos imensamente o compromisso de longa data do Brasil com o compartilhamento de conhecimento e a cooperação técnica, e admiramos sua inovação, sua excelência científica e agrícola, bem como sua experiência na ampliação de oportunidades para sua população.

Nossa parceria baseia-se no aprendizado mútuo, na construção conjunta e na criação de oportunidades que beneficiem ambos os nossos povos.
No último ano, essa parceria cresceu de forma notável. Nossos dois países assinaram um Acordo de Consultas Políticas e Memorandos de Entendimento nas áreas de saúde e educação. Recebemos em Kigali a primeira missão empresarial Brasil-África, organizada pela ApexBrasil, e agora aguardamos com expectativa a primeira missão empresarial de Ruanda ao Brasil, liderada pelo *Rwanda Development Board* e pela Federação do Setor Privado.
Mais importante ainda: neste ano, dois estados brasileiros receberão 43 estudantes ruandeses que cursarão mestrado e doutorado em universidades brasileiras de referência, incluindo a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade Federal de Lavras (também em Minas Gerais) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Essas conquistas não teriam sido possíveis sem o compromisso de nossos parceiros brasileiros. Aos nossos amigos do governo, da academia, do setor privado e da sociedade civil: obrigado pela amizade e pela parceria.

Ao celebrarmos esta noite, continuemos a construir pontes mais sólidas entre Ruanda e o Brasil, criando novas oportunidades para nossos povos e contribuindo juntos para um futuro mais próspero e pacífico. Como o Presidente Paul Kagame nos lembrou durante a comemoração do *Kwibohora* deste ano: “O futuro que merecemos está ao nosso alcance, desde que permaneçamos unidos e rejeitemos o divisionismo em todas as suas formas”. Que nossa visão compartilhada continue a fortalecer a amizade entre nossos dois países e a nos inspirar a trabalhar juntos em prol das futuras gerações. Excelências, senhoras e senhores,
Antes de encerrar, gostaria de convidá-los a apreciar uma bela expressão do patrimônio cultural de Ruanda por meio de nossa dança tradicional. Ela reflete nossa história, nossa resiliência e nossa alegria. Espero que aproveitem a apresentação e que, quem sabe, até se juntem aos dançarinos.
Desfrutem também dos sabores de Ruanda, de nossa música e do calor desta noite que compartilhamos. Obrigado e tenham uma noite maravilhosa.”

Ao longo da noite, convidados puderam conhecer diferentes expressões da cultura ruandesa. Um grupo de artistas apresentou danças tradicionais que fazem parte do patrimônio cultural do país, enquanto o buffet trouxe sabores característicos da gastronomia de Ruanda, proporcionando uma experiência de imersão cultural que complementou a programação diplomática da cerimônia.

A celebração em Brasília também refletiu o momento positivo das relações entre Ruanda e Brasil. Nos últimos anos, os dois países vêm ampliando o diálogo político e a cooperação em setores como agricultura, inovação, educação, comércio, investimentos e intercâmbio técnico, criando oportunidades de aproximação entre governos, universidades e setor privado.

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Cléia Araújo é jornalista, radialista e apresentadora com mais de 20 anos de experiência na comunicação. Atuou em importantes veículos de imprensa e é fundadora do portal Eu Tô que Tô, plataforma dedicada ao entretenimento, cultura, comportamento e celebridades, unindo informação, credibilidade e paixão pela comunicação.
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